Saúde Mental é tema de capacitação em São Paulo


em 04/04/2018

Familiarizar profissionais de diferentes unidades da Zona Norte e do Centro de São Paulo com temáticas de Saúde Mental será linha prioritária de atuação da Educação Permanente do IABAS em 2018. A primeira dessas ações, com o tema “Manejo de crise em Saúde Mental”, aconteceu no dia 27 de março, reunindo cerca de 60 pessoas.

“Estamos trazendo a Saúde Mental para as áreas abrangidas pela a Atenção Básica e focando na integração da rede para gerar um fortalecimento, não uma segregação”, pontua Maria Luiza De Barba, gerente de Promoção da Saúde e Educação Permanente do Instituto.

A meta é atuar para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e também levar conhecimentos complementares para as unidades e serviços, mesmo que não estejam dentro do segmento de Saúde Mental. “Assim, a gente vai começar a trabalhar alguns conceitos de saúde ampliada, favorecendo o acesso, a universalidade, a equidade e, principalmente, o cuidado integral dos usuários” complementa Maria Luiza.

Sensibilizar os colaboradores sobre as necessidades dos usuários que usam a rede psicossocial é o principal objetivo da capacitação. “Vemos que a promoção de Saúde Mental acontece no dia a dia, não só dentro dos Caps. Este usuário é tão complexo quanto os outros, então a gente percebeu que precisava fazer essa integração”.

No primeiro encontro, os conceitos foram apresentados aos colaboradores de unidades e serviços da Zona Norte por três supervisores de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do Centro: Fabio Carvalho (Caps Adulto III Sé), Sandra Correa (Caps AD III Sé) e a Mariane Pontes (Caps AD III Prates).

“A ideia de trazer facilitadores que atuam no Centro surgiu para resgatar qual é o sentido de crise e como ela acontece de forma muito semelhante em todos os territórios e serviços”, explica a coordenadora de Saúde Mental do IABAS, Janaina Moura.

O calendário da Educação Permanente do IABAS realizará as ações de Saúde Mental até o final do ano, com temas diversos. Todos eles, ressalta Janaina, foram pensados para atender demandas dos território. O objetivo é que os participantes repliquem, em suas unidades, os conceitos aprendidos, promovendo uma constante troca de experiências.

Trazer a realidade prática para dentro das formações é um dos motivos para que os facilitadores das atividades sejam colaboradores das unidades, afirma Maria Luiza. Outra razão, aponta, é promover a valorização destes profissionais. A “prata da casa”, ela destaca.

“Existe tanto conhecimento dentro dos nossos serviços, e nós precisamos identificar e valorizar isso. Colocá-los à frente do processo formativo não significa só conceder uma certificação, mas também um reconhecimento de que eles estão fazendo a diferença nos serviços em que estão, que eles nos afetam e nos mobilizam. Trazemos eles para que eles possam fazer o mesmo com as outras unidades”.

Assistente Social da AMA/UBS Integrada Jardim Joamar, Israel dos Santos diz que se inscreveu na capacitação pela necessidade do território em que atua. “Temos uma vivência com isso, e percebemos que existem situações sobre as quais precisamos aprender. Existe a prática multidisciplinar, mas ela precisa sempre ser renovada e aprendida, porque as situações diferentes vão acontecer todos os dias”.

EXPERIÊNCIA

Fábio Carvalho, gerente do Caps Adulto III Sé frisa a carência de conhecimento sobre temas da Saúde Mental em unidades que não são especializadas. Na unidade, ele afirma, os relatos dos usuários são de dificuldade de acolhimento em outros locais.

“Existem dificuldades naturais com usuários que são mais agitados, e que, quando chegam na UBS, põem a equipe em dúvida do que fazer. Também existe aquele usuário que tem uma depressão sazonal, superficial e que poderia ser atendido dentro de uma UBS. Eles acabam sendo encaminhados para um Caps. É importante não deixar que isso aconteça, para tentar provocar o fortalecimento da rede em que todos os serviços possam se unir e trabalhar juntos”.