Mães e bebês praticam Shantala em UBS


em 03/07/2018

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Os primeiros momentos são de desconfiança, mas depois, com um pouco de persistência, o relaxamento dos pequenos compensa. É assim cada reunião do grupo de Shantala da UBS Parque Edu Chaves, na Zona Norte de São Paulo. Voltado para crianças de até três anos, as reuniões, chamadas oficialmente de “Grupo de toque terapêutico – relação mamãe e bebê”, tiveram início este ano.

No grupo, explica a fisioterapeuta Aline Ramos, as mães aprendem a técnica da Shantala para realizar a massagem nos bebês. Entre os efeitos, está o fortalecimento do vínculo e a melhora do desenvolvimento das crianças. “A principal característica que a Shantala trabalha é o vínculo entre a mãe e o bebê, que às vezes não acontece: a mãe tem medo de tocar na criança, especialmente quando é o primeiro. Ela não entende a relação entre o corpo do bebê e seu corpo. Por isso, ela precisa sincronizar tudo isso”.

A Shantala, segundo Aline, é indicada para bebês com mais de um mês de idade. Se iniciada bem cedo, é maior a chance de as crianças se adaptarem à técnica. Na UBS Parque Edu Chaves, o grupo, realizado mensalmente, é indicado durante as consultas e na sala de espera. Foi assim que Laila Macedo, 19, chegou à atividade. “Conheci hoje e achei muito bom. Pretendo vir sempre”. A pequena Helena, de dois anos, foi uma das que ficou mais tranquila com a massagem. “No começo, ela ficou um pouco acanhada, mas depois relaxou”.

De acordo com a fisioterapeuta, o tempo de cada massagem depende da aceitação do bebê: pode durar de 10 a 25 minutos. “Quanto mais ele recebe a massagem, mais se acostuma, mais sente o toque e vai se adaptar em relação a ele. Com o tempo, ele vai entender o toque da mãe, e a mãe vai entendendo os limites do corpo do bebê, que ela também não conhece”, afirma Aline.

Os resultados da Shantala são percebidos imediatamente, ressalta a fonoaudióloga Flaviana Vilela: algumas crianças relaxam com maior facilidade, enquanto outras têm maior resistência. “O legal do grupo aberto é que o vínculo vai sendo criado aos poucos, mas o resultado a gente sente na relação: de a mãe te olhar, pensar que nunca tocou o bebê. Ela pensa em fazer uma vez, diz que não consegue, e nós trabalhamos por que não consegue. Lidamos com a demanda que vem, que é a demanda real deles”.

Ao final de cada sessão de Shantala, o grupo ainda realiza atividades relacionadas ao desenvolvimento infantil em diferentes esferas: de linguagem, auditivo, motor, sensorial, cognitivo e psicossocial. Para isso, são usadas ferramentas lúdicas, como a contação de história ou brincadeiras.

Enzo Gabriel, de um ano e nove meses, também gostou da Shantala. Principalmente nos braços e nos pés, analisa a mãe, Dilce Andrade, 32. “Eu não conhecia a Shantala. Vou começar a fazer em casa, e ele vai se acostumar, porque ele também não conhecia. Ele se sentiu bem, e eu ainda mais, porque percebi que ele fica mais calmo”.

O QUE É A SHANTALA?

A Shantala é uma massagem para bebês que surgiu no Sul da Índia. A técnica foi difundida no ocidente por volta da década de 1970 pelo médico francês Frederick Leboyer. O médico ficou encantado com uma mãe massageando seu bebê. Pesquisou sobre a massagem que era tradição e batizou a técnica com o nome da mulher: Shantala. Estudos mostram que o método terapêutico pode trazer benefícios respiratórios, digestivos, imunológicos, relaxantes e analgésicos. A Shantala passou a ser oferecida pelo SUS em 2017 como uma das Práticas Integrativas e Complementares (PICS).