Grupo trabalha saúde mental no Jardim Fontális


em 30/08/2018

“O que está te fazendo sofrer?”. Esta é a pergunta que, toda quinta-feira, dá início à conversa do Encontro Terapêutico, promovido pelo Nasf Flor de Maio e a UBS Jardim Fontális. O grupo é um espaço para que os usuários da unidade compartilhem experiências do dia-a-dia que causam algum tipo de sofrimento.

Realizado desde janeiro deste ano, o grupo surgiu a partir de um diagnóstico do território, que apresenta muitas demandas de transtornos comuns de saúde mental, como depressão, ansiedade e conflitos familiares, explica a psicóloga do Nasf, Milena Monteiro. Os profissionais da unidade indicam a participação no grupo conforme identificam a necessidade em algum usuário durante os atendimentos.

Utilizando conceitos de terapia comunitária, o espaço funciona como uma partilha de experiências. “O resultado alcançado é baseado na troca de experiências, em como cada um enxerga uma situação e a resolve. Quando questionamos se alguém passou por uma experiência parecida, mostrar a resolução daquele problema pode ser uma forma de a pessoa pensar algo novo”, comenta a psicóloga. Isso porque a conversa tem que ser desenvolvida sempre em primeira pessoa, nunca num tom de conselho.

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Apesar de alguns participantes apresentarem resistência com a temática da saúde mental, acabam vendo, no grupo, uma oportunidade de falar sobre seus sentimentos. “Muitas vezes as pessoas não conseguem desabafar com alguém conhecido porque as pessoas vão julgar, mas aqui, nesse espaço, não”, afirma a técnica de Enfermagem Aline dos Santos. Caso seja identificada a necessidade devido a um caso mais grave, é feito o encaminhamento para um atendimento mais específico.

Sempre no início do encontro é realizada alguma atividade lúdica relacionada ao tema do dia. É uma forma, segundo a psicóloga, de aumentar a imersão dos participantes. Ao final, para ajudar aliviar a tensão, é feita uma sessão de relaxamento, com automassagem ou alongamento. “E também deixamos uma reflexão para ser retomada no próximo grupo”, pontua o agente de promoção ambiental Felipe Gouveia.

Mesmo que cada um dos participantes traga histórias diversas, os condutores do grupo tentam costurar as histórias para garantir que todos participem. “Essa é uma forma de tentar fazer com que todo mundo saia um pouco mais aliviado. Todos acabam participando do processo da solução de um conflito”, ressalta a psicóloga.

No futuro, a proposta é criar um novo grupo, um espaço de convivência, para acolher aqueles que já tiveram melhora e não precisam tanto do Encontro Terapêutico. Uma possibilidade é um grupo de artesanato, onde os usuários possam se encontrar e fortalecer vínculos para seguir promovendo a saúde mental.