HEAPN homenageia famílias de doadores de órgãos


em 28/09/2018

Na tarde de ontem, dia 27, o pequeno Miguel, de dois anos, corria, brincava e ria no auditório do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN). A cada momento em que ele roubava a cena, trazia um sorriso e muita emoção ao rosto de cada um dos presentes no local para um evento especial: a homenagem às famílias de doadores de órgãos do hospital.

Miguel é o paciente transplantado de coração mais novo do estado do Rio de Janeiro. Ele passou pela cirurgia em maio e todas as suas travessuras só são possíveis por causa do ato solidário de uma família em aceitar doar os órgãos de um ente querido. Era o caso de cada um dos homenageados na data que marca o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos.

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A cada depoimento de familiares, ficava claro o momento triste que cada um passou, mas, ao mesmo tempo, como foi importante ter tomado a decisão de concordar com a doação. Ter a certeza de que alguém está vivo hoje por conta disso trazia paz e consolo para quem perdeu alguém tão importante.

Paloma, mãe de Miguel, contou um pouco da trajetória do pequeno menino que, com 17 dias de vida, sofreu um infarto e descobriu que precisaria de um transplante de coração. Ela destacou que sua família é eternamente grata a quem propiciou isso.

“Ele representa todos que estão vivos por causa do gesto de pessoas como vocês. Graças à família do doador, ele está aqui hoje, assim como muitos outros estão andando, conversando e brincando por causa de vocês. Muito obrigada. De coração”, contou emocionada.

Além de profissionais do hospital e homenageados, o evento também contou com a participação de representantes de diferentes religiões, para destacar que não há impedimento religioso para a doação.

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A homenagem foi organizada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do hospital. A equipe deu, além de um certificado, uma planta suculenta para os homenageados porque elas representam o amor puro e verdadeiro que dura para sempre, o melhor símbolo para o ato de cada familiar presente.

O enfermeiro responsável pela CIHDOTT, Gilberto Malvar, destacou a importância de todos informarem aos seus familiares o desejo de ser doador de órgãos. “Somente a família pode autorizar a doação e, por uma questão cultural, não estamos acostumados a falar sobre a morte, o que dificulta muito a tomada de decisão em uma hora tão difícil. Hoje, há 33 mil pessoas na fila aguardando um transplante e metade das famílias ainda nega as doações”, explicou.

HEAPN é referência em captação de órgãos para doação

O hospital, referência nacional em captação de órgãos e tecidos, foi premiado pela Secretaria de Estado de Saúde pelo trabalho exemplar. A unidade já quebrou, em 2018, seu recorde de captação de corações. Foram seis corações captados, o que representa 37,5% das doações de coração no estado do Rio, que já captou, até o momento, 16 corações.

Para isto, a unidade conta com a CIHDOTT, que funciona 24h e realiza um trabalho diferenciado no que diz respeito ao acolhimento e atendimento dos familiares. A unidade tem cerca de 50% de taxa de conversão, que é o número de doações efetivas em um total de casos de morte encefálica.