Mutirão de cadeiras de rodas adaptadas do CER Tucuruvi promove qualidade de vida


em 11/03/2019

tucuruvi

Com um sorriso largo, Elizabete Soares, 20, não esconde a felicidade pelo presente novo: uma cadeira de rodas completamente adaptada a seu corpo. Os planos são muitos: ir com ela aos cursos de computação e de matemática e para a capoeira. “E para o parque!”, planeja a jovem.

Ela é uma das beneficiadas do mutirão de cadeiras de rodas adaptadas realizado pelo Centro Especializado de Reabilitação (CER) Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo. Somente em 2018 foram entregues 373 cadeiras de rodas adaptadas, além de 218 cadeiras de banho. Este

ano, foram 87 e 63, respectivamente. A unidade acaba atendendo não apenas paulistanos: sempre há moradores do interior de São Paulo ou de outros estados do País.

A mãe de Elizabete, a dona de casa Elidete Soares, 43, conta que, antes de receber a cadeira, a filha não falava em outra coisa – a cadeira que usava até então estava pequena e desconfortável. “Ela está muito contente, já marcou de ir pra todo canto”.

Rosemary Haberland, supervisora do CER Tucuruvi, afirma que a demanda de cadeiras aumentou bastante nos últimos anos. “Isso se dá tanto porque a população vai descobrindo que existe essa oferta do serviço quanto os profissionais começam a encaminhar mais”.

Toda quarta-feira é realizada uma etapa do mutirão no CER: avaliação, prova ou entrega. Para receber a cadeira adaptada, o usuário passa por todas elas, nesta ordem. O processo leva pelo menos um mês, devido ao tempo necessário para realizar as adaptações no equipamento, e o prazo pode variar devido à complexidade do trabalho.

Para dar início à solicitação de uma cadeira, o usuário precisa ser encaminhado pela UBS da região em que mora para o serviço de reabilitação de referência. Se for o caso de uma cadeira padrão, ela é solicitada lá mesmo. Mas se houver necessidade de adaptações, o encaminhamento é feito para os pólos onde há mutirão, como o CER Tucuruvi.

A avaliação para a confecção da cadeira demora pelo menos meia hora: além das medições do corpo, a equipe multidisciplinar colhe a história do paciente, como é sua rotina, quais as necessidades, como deve ser o uso. Tudo é feito com a família para entender melhor a demanda. “Todas as cadeiras são diferentes. O resultado é muito singular, de acordo com o que aquela pessoa precisa”, ressalta Rosemary.

Até a entrega, é feita uma prova para avaliar se as adaptações correspondem ao que o usuário precisa. Quando comparada a uma cadeira padrão, as adaptadas podem ter, de acordo com a necessidade, apoio de tronco, assento anatômico e com uma espuma mais firme, cinto que promova maior fixação, apoio de cabeça entre outros itens.

“É muito grande o ganho de qualidade de vida para as pessoas. Muitas delas não tinham como se locomover, ficavam dentro de casa, não saíam, não iam para escola, para lazer ou cultura. Essas cadeiras têm proporcionado uma mudança na vida delas”, finaliza a supervisora.