PROJETO AFROCAPS: Muito além do samba, da feijoada e da capoeira, um convite para aquilombar-se.


em 17/12/2019

afro

O CAPS III MANDAQUI recebeu no dia 28 de novembro de 2019 o prêmio Edna Muniz, por meio do projeto AFROCAPS, pela iniciativa e reconhecimento de suas contribuições na promoção de práticas voltadas à questão étnico racial com respeito e comprometimento.

Para encarar o desafio de debater a temática racial dentro de um serviço público de saúde mental num território predominantemente branco, o coletivo Negro CAPS Mandaqui, inspirado por experiências exitosas no território e também por vivências racistas enquanto profissionais de saúde mental, promoveu a atividade durante 13 dias no mês de novembro, para discutir conceitos como racismo estrutural, branquitude, colorismo, que produzisse representatividade e reconhecesse os adoecimentos que o racismo causa, compreendendo as questões raciais como importantes produtoras de subjetividade e produzindo, assim, deslocamentos e a garantia de posturas e pensamentos descolonizados.

O projeto propõe-se falar não só da história afrobrasileira como das expectativas para o futuro, discutir empregabilidade, saúde, autoestima, política, entendendo que o interesse da população negra não se restringe ao samba, a capoeira, muito menos às discussões devem se restringir ao dia da Consciência Negra.

A produção de inclusão social e a problematização da temática do sofrimento psíquico na população negra implica em uma nova forma de se relacionar entre os usuários dos serviços de saúde mental e a sociedade. Neste sentido, o projeto busca garantir a ampliação dos espaços de trocas sociais, das possibilidades de expressão da subjetividade, levando à reconstrução da cidadania, resignificando paradigmas e preconceitos raciais, visto o panorama excludente que esta população apresenta.