NOTA DE REPÚDIO – INVERDADES SOBRE O CAPS IJ SANTANA NA IMPRENSA 


em 06/04/2021

Prezados colaboradores, parceiros, pacientes e familiares,

Infelizmente, desde a última semana, temos acompanhado algumas falas carregadas de inverdades sobre o atendimento realizado pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil – CAPS IJ Santana, unidade localizada na zona norte de São Paulo.

Ao contrário do que a Rádio e TV Bandeirantes, por meio do programa Manhã Bandeirantes e Brasil Urgente, respectivamente, têm afirmado, o CAPS não promove festas aleatórias com barulho e piscina. Isso é mentira. Lamentavelmente, ao tentarmos expor a verdade dos fatos, a equipe de jornalismo optou por ignorar a realidade dos fatos e mais uma vez silenciar o Instituto. Por esta razão e em respeito aos nossos profissionais, pacientes e familiares, repudiamos veementemente o conteúdo falso das afirmações do suposto jornalista e apresentador.

Entendemos que profissionais da saúde mental têm plenas condições de avaliar o quadro dos assistidos da unidade para indicar um plano terapêutico individual, não cabendo a jornalistas sem conhecimento da área avaliar o que é ou não adequado para o tratamento dos assistidos, pelo simples fato de inaptidão técnica para tanto, principalmente quando sequer buscam conhecer a realidade e, quando o Instituto busca esclarecer, é sempre silenciado.

O CAPS IJ Santana realiza as mais diversas atividades terapêuticas com as crianças e adolescentes assistidos por equipe multiprofissional. Nessa perspectiva, o CAPS opera nos territórios, compreendidos não apenas como espaços geográficos, mas territórios de pessoas, de instituições, dos cenários nos quais se desenvolve a vida cotidiana de usuários e familiares (Brasil, 2005) e constituem-se como um “lugar” na comunidade, em substituição ao modelo asilar, não mais em hospitais ou clínicas afastadas, mas em espaços comuns. Dessa forma, seguimos as normas vigentes estabelecidas pelo Ministério da Saúde no que refere a estrutura física dos CAPS, de modo que forneça atenção a crianças e adolescentes com necessidades em saúde mental, durante as 24 horas do dia e em todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados.

Algumas das atividades previstas em grupo foram suspensas ou revistas em função do cenário de pandemia, no entanto, em respeito aos assistidos e familiares, atividades terapêuticas que englobem prática de exercícios físicos, atividades artísticas (música, artesanato, etc) e atividades intelectuais como jogos, seguem de acordo com o plano terapêutico de cada assistido. Isso tudo para que não haja interrupção de tratamento.

Atualmente, o CAPS IJ Santana atende cerca de 300 crianças e adolescentes portadores de transtornos mentais e comportamentais graves e, para nós cidadãos, é muito claro que é papel da sociedade entender, aceitar e respeitar o diferente, o diverso, contribuindo para que essas pessoas possam ser viver em sociedade com tratamento digno e compatível com as necessidades, nos termos da universalidade do SUS.

Classificamos como um desserviço à sociedade como um todo a atuação de determinados intitulados jornalistas, que buscam polêmicas, por meio de falácias, para atingir o Instituto, mas que na verdade ferem, prejudicam e ridicularizam crianças em tratamento de saúde mental, profissionais da saúde que atuam no CAPS e familiares que precisam do serviço, que veem no CAPS uma esperança para o bem-estar de seus filhos.

É lamentável que o jornalismo exercido por esses programas de rádio e de TV tenha optado por se basear na reclamação de um único morador, já conhecido dos profissionais e pacientes do CAPS IJ Santana por suas diversas investidas violentas, ameaças, xingamentos, uso de palavras de baixo calão para classificar o atendimento, além de rompantes de discriminação, desde a instalação da unidade naquele local, que foram objeto de diversos boletins de ocorrência. Lamentamos também que algumas pessoas não conseguem compreender que o bem geral está acima do bem individual, é o que chamamos de interesse público.

Caros jornalista, apresentador de TV e vizinho, uma unidade de saúde mental que atende crianças e adolescentes promove atividades terapêuticas para dar voz e expressão a esses atendidos. A saúde mental não deve ser conquistada na medida do silenciamento e do isolamento dos assistidos ou de quaisquer forma de agressividade, técnica muito utilizada pelos senhores em suas falas na TV e no rádio.

Seguiremos a nossa missão de cuidar da saúde mental dessas crianças e adolescentes, certos de que o trabalho do CAPS IJ Santana é muito maior que intrigas institucionais de interesses escusos, e na esperança de que o bom jornalismo, sem viés ideológico, sem vingança, mostre a verdade dos fatos.

Por fim, pedimos aos pais e mães dessas crianças e adolescentes, demais familiares, que sigam conosco nessa luta árdua e cotidiana. As pautas de saúde mental nunca foram a prioridade de “jornalismo-terrorismo”, é preciso avançar muito para que se compreenda as necessidades de quem tem um filho que necessita do tratamento. Só sabe quem cuida, só sabe quem passa. Sintam-se abraçados.

São Paulo, 5 de abril de 2021.

Direção Executiva do IABAS