Clipping 08/05/2015


em 08/05/2015

Ir ao trabalho de bicicleta ou a pé emagrece, diz pesquisa
Estudo britânico revela que deixar o carro de lado pode resultar em perda de peso de até sete quilos

RIO— O deslocamento da casa para o trabalho costuma ser visto como um fardo pela a maioria das pessoas, mas segundo um estudo publicado na “Journal of Epidemiology & Community Health” o trajeto pode ser vantajoso se os trabalhadores optarem por meios de transporte mais sustentáveis. De acordo com a pesquisa, substituir o carro por uma bicicleta, um transporte público ou ir a pé pode resultar em perda de peso de até sete quilos em dois anos, dependendo da distância.

Através da British Househol Panel Survey (BHPS), uma pesquisa desenvolvida periodicamente pela University of Essex, na Inglaterra, analisou dois grupos de pessoas durante os anos de 2004 e 2005, e nos anos de 2006 e 2007. Os entrevistados responderam a um questionário informando o peso, a altura e o meio de transporte utilizado para ir ao trabalho.

A primeira amostra incluiu 3269 entrevistados, da qual 179 pessoas pararam de ir de carro para o trabalho. Do grupo que mudou de hábitos, 109 passaram a ir a pé ou de bicicleta e 70 utilizaram o transporte público. Na maioria dos casos, os que optaram por ir ao trabalho por meio dos dois primeiros métodos eram mais jovens, com renda familiar mais baixa e percorriam um caminho mais curto, já os que escolheram o transporte público apresentavam uma escolaridade maior. A mudança de hábitos resultou em uma redução de pelo menos um quilo por pessoa e quanto maior o trajeto maior o emagrecimento, podendo chegar a sete quilos em percursos de mais de 30 minutos.

A segunda análise observou a resposta de 787 pessoas que fizeram o inverso, trocaram os meios de transporte mais sustentáveis pelo carro. Entre as pessoas analisadas, 268 deixaram de lado a bicicleta ou pararam de ir a pé e 112 abandonaram o transporte coletivo.

Levando em consideração outros fatores de influência, os pesquisadores concluíram que a escolha de um meio mais ativo de ir ao trabalho pode ser um forte aliado para reduzir a média do Índice de Massa Corpórea da população, resultando em pessoas mais saudáveis.

“Aliados às conclusões da pesquisa, os potenciais benefícios ambientais, econômicos e os ganhos na saúde de ir para o trabalho à pé, de bicicleta ou de transporte público , servem para incentivar o uso de formas de transporte mais sustentáveis”, escreveram os cientistas na pesquisa.

O GLOBO, 08.05.2015

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Vírus do sarampo deixa o sistema imunológico debilitado por três anos
Novo estudo mostra que o corpo entra em ‘amnésia imunológica’e abre portas para outras infecções

PRINCETON – Um novo estudo da Escola Woodrow Wilson de Assuntos Públicos e Internacionais e do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Princeton, publicado na revista “Science”, mostra que o vírus do sarampo, quando entra no organismo, deixa o sistema imunológico debilitado por até três anos — e não por um ou dois meses, como se achava anteriormente.

Evidências epidemiológicas fornecidas por este estudo apontam que o sarampo pode jogar o corpo em um estado muito mais longo de “amnésia imunológica”, “quando as células de memória essenciais que protegem o corpo contra as doenças infecciosas são parcialmente exterminadas”.

— Nós já sabíamos que o sarampo ataca a memória imunológica, e que a doença era imunossupressora por um curto período de tempo. Mas este artigo sugere que a supressão imunológica dura muito mais tempo do que se suspeitava anteriormente — explica C. Jessica Metcalf, co-autora e professora assistente de ecologia e biologia evolutiva e assuntos públicos na Universidade de Princeton. — Em outras palavras, se você tiver sarampo, nos três anos seguintes pode morrer de algo que você não morreria não tivesse sido infectado com sarampo.

O estudante de medicina da Universidade de Emory, Michael Mina, que trabalho no projeto, conta que “as descobertas sugerem que vacinas contra o sarampo têm benefícios que vão além da simples proteção contra o sarampo em si”.

Mina analisou os dados populacionais detalhados disponíveis dos Estados Unidos, Inglaterra e País de Gales, e Dinamarca, os únicos países com as principais variáveis necessárias para a análise. Os investigadores analisaram mortes entre as crianças com idades entre 1 e 9 anos na Europa, e 1 e 14 anos nos Estados Unidos, em ambas as eras pré e pós-vacinais. Eles distribuíram um teste de associação de dados básicos, comparando a incidência do sarampo e as mortes. A análise inicial voltou estatisticamente significativa, mas mais fraca do que o esperado, não mostrando uma forte ligação entre os dois.

Neste ponto, Mina e seus colaboradores decidiram avaliar os dados que fazem diferentes hipóteses sobre quanto tempo os possíveis efeitos de imunoamnésia relacionados ao sarampo poderiam durar. Esta exploração descobriu uma correlação muito forte entre a incidência do sarampo e mortes por outras doenças, permitindo um “período de latência” de, em média, 28 meses após a infecção com sarampo. Este achado foi consistente em todos os grupos etários nos três países e também pré e pós-vacinais.

— Reduzir a incidência do sarampo parece causar uma queda nas mortes por outras doenças infecciosas devido aos efeitos indiretos de infecção do sarampo no sistema imunológico humano — disse Grenfell.

No que diz respeito à política, os resultados da investigação sugerem que – para além dos principais benefícios diretos – a vacinação contra o sarampo também pode fornecer proteção imunológica indireta contra outras doenças infecciosas. Mina e seus colaboradores esperam que o estudo estimule pesquisas futuras.

O GLOBO, 08.05.2015

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Taça diária de vinho tinto faz bem ao coração de diabéticos, diz estudo
Bebida ajuda a aumentar os níveis de colesterol bom

RIO— O vinho tinto já compõe a mesa de jantar de muita gente aos fins de semana, mas um estudo desenvolvido por pesquisadores israelenses afirmou que um cálice da bebida todos os dias da semana faz bem ao coração de pacientes diabéticos. Segundo a pesquisa, o vinho tinto aumenta a quantidade de colesterol bom (HDL) no organismo, responsável por remover o colesterol ruim (LDL) e proteger de ataques cardíacos.

Os cientistas acompanharam mais de 220 diabéticos tipo 2, que compartilhavam de uma dieta mediterrânea, durante dois anos. Alguns deles foram autorizados a tomar 150 ml de vinho tinto todos os dias. O resultado foi que os que beberam o tinto diariamente durante o jantar apresentaram níveis maiores de colesterol bom do que os que beberam vinho branco ou água na refeição.

Além disso, os que tiveram o hábito de beber uma taça de vinho tinto e eram predispostos a metabolizar bem o álcool registraram ainda um melhor controle de açúcar no sangue. A partir daí, os pesquisadores afirmam que a característica genética pode ser usada para identificar pacientes de diabete tipo 2 que podem se beneficiar do consumo moderado da bebida.

O motivo pelo qual o vinho tinto pode ser eficaz no aumento de colesterol bom ainda é desconhecido, mas pesquisadores afirmam que esteja relacionado a algum ingrediente particular da bebida, já que os pacientes que ingeriram vinho branco não apresentaram o mesmo ganho.

“Enquanto a interação genética tem um papel específico em relação ao álcool, a superioridade do vinho tinto sugere que um componente não alcoólico da bebida pode ser responsável pelo impacto positivo”, afirmam os pesquisadores coordenados pelo professor Iris Shai.

Apesar do benefício do consumo diário de vinho, os médicos alertam para o risco de ingerir grandes quantidades da bebida alcoólica, o que poderia ocasionar o efeito contrário contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

 O GLOBO, 08.05.2015

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Artrite demora a ser diagnosticada
No Rio, 36% dos pacientes levam dois anos sofrendo

Rio – Na cidade do Rio de Janeiro, 36% dos pacientes com artrite levam pelo menos dois anos para receber o diagnóstico e, portanto, o tratamento correto. A taxa está acima da média nacional (25%). Especialistas alertam que a demora, além de causar sofrimento com as dores, traz sequelas, como limitações nos movimentos.

O alerta é da pesquisa ‘Não ignore sua dor: pode ser artrite reumatoide’, feita pela Pfizer com 200 pacientes. Os participantes procuraram, em média, três médicos até a obtenção do diagnóstico. Em muitos casos, o processo pode levar mais de cinco anos. O reumatologista Cristiano Zerbini, coordenador médico do levantamento, aponta que o paciente sente fortes dores e, se não receber o tratamento imediato, pode sofrer com a alteração na estrutura das articulações e até com dificuldade de locomoção.

“A dor é tanta que é como se houvesse um prego na articulação”, aponta. “Se for diagnosticada no início, é possível controlar a doença e não comprometer as articulações”.

Segundo Zerbini, o diagnóstico demora porque, na fase inicial, os sintomas são pouco específicos, como dor no joelho ou rigidez nas mãos ao acordar, por exemplo. Além disso, raramente o paciente pensa em procurar o reumatologista, melhor especialista para detectar o mal.

Como as deformidades físicas demoram a aparecer, 51% dos entrevistados disseram que alguém já duvidou de que estivessem realmente doentes, e outros 48% foram acusados de ‘corpo mole’. Além do Rio, participaram do estudo São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Dependência dos outros é problema

Para 18% dos pacientes, depender de outra pessoa é a experiência mais difícil da doença. Antes do diagnóstico, 84% tinham a autoestima elevada. Com a progressão do quadro clínico, a proporção caiu para 64%. Além disso, 27% têm dificuldade para se olhar no espelho e 16% admitem que sentem vergonha do próprio corpo.

A artrite reumatoide é uma doença autoimune e afeta principalmente mulheres entre 40 e 55 anos. A Pfizer lançou no país um novo remédio para tratar o mal, o Xeljanz. O fármaco é de uso oral, ao contrário dos usados atualmente, que são injetáveis.

O DIA, 08.05.2015

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Especialistas discutem ineficácia das dietas em debate da Folha

 Dietas restritivas são ineficazes –os pacientes não conseguem seguir a restrição por muito tempo e, quando voltam para a alimentação normal engordam de novo, às vezes chegam a pesar mais do que pesavam antes da dieta.

Essa é a opinião das participantes do debate promovido pela Folha na última quarta-feira, 6, em razão do Dia Mundial sem Dieta.

A data existe desde 1922 quando a feminista inglesa Mary Evans decidiu lutar contra a anorexia e outros distúrbios alimentares e também contra a indústria da dieta.

Participaram do debate a nutricionista Fernanda Timerman, as psicanalistas Magda Khouri e Luciana Saddi; e a endocrinologista Lea Diamant. A mediação foi da repórter especial da Folha, Claudia Collucci.

Por mais que sejam ineficazes, porém, o mundo parece viver de dieta. “A mídia, e o excesso de exposição do corpo na mídia cria um ideal de corpo que é inatingível e que gera insatisfação”, disse Magda Khouri.

Existe também um forte interesse econômico na questão das dietas. “Esses modismos nas dietas foram feitos para não funcionar. Se desse certo, o mercado extremamente lucrativo da indústria do emagrecimento não seria movimentado”, disse Fernanda Timerman.

Em muitos casos, culpa-se o paciente pela sua obesidade. Mas estudos apontam que muitos pacientes têm uma predisposição genética para o ganho de peso. E hoje é fácil encontrar refeições calóricas sempre que a fome bate.

PARA QUÊ?

As especialistas questionam: seguir a dieta para quê? “A mulher do século 19 era vista como eternamente doente. A do nosso tempo é a eterna gorda”, disse Luciana Saddi.

Há pessoas que têm alguma doença que exige a dieta, como diabéticos, celíacos e fenilcetanúricos. Mas não há necessidade de se submeter a um regime de privação alimentar se você quer perder alguns quilos.

Segundo Lea, estudos comprovam, inclusive, que pessoas com um pequeno sobrepeso vivem mais. É uma mudança de paradigma deixar de associar baixo peso à saúde.

“Precisamos repensar o que é peso saudável, quais são as nossas metas, tudo isso ainda está em evolução”, disse.

Um outro lado das dietas também foi abordado: a compulsão. “A privação leva a pensamentos compulsivos”, disse Luciana, sobre as dietas.

As dietas, segundo a especialista, procuram alterar a fome e não em consideração que o ser humano está ligado ao prazer de comer. Pessoas cronicamente submetidas a dietas não reconhecem a fome nem o sinal de saciedade.

“Se você comer guiado pela sua fome, pela saciedade, e pelo prazer de comer, não sei se você vai emagrecer, mas em geral você vai deixar de engordar e vai deixar de ter compulsão pela comida”, disse Luciana.

A nutricionista Fernanda Timerman conta que sua abordagem comportamental da nutrição já surpreendeu pacientes. “Já ouvi coisas do tipo ‘como assim você não vai me dar bronca porque eu como chocolate?’ Percebo que as pessoas querem emagrecer a qualquer custo, mas estão menos dispostas a percorrer o caminho mais longo que é o de se descobrir e entender como chegou àquele peso”, disse.

Entender tudo isso é importante porque confere ao paciente mais autonomia sobre suas escolhas alimentares e também garante uma relação mais saudável e prazerosa com a comida.

 FOLHA DE SÃO PAULO, 08.05.2015

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Butantã quer testar na Índia vacina da dengue
Instituto tenta agilizar aprovação de imunizante contra a doença e projeta que esteja disponível para a população do País em 2016

SÃO PAULO – Para tentar agilizar o processo de aprovação da vacina contra a dengue, o Instituto Butantã já estuda testá-la em outros países além do Brasil. Enquanto espera a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em território nacional, o instituto conversa com órgãos de vigilância sanitária estrangeiros. “Já estive com o presidente da Anvisa da Índia e ele se mostrou interessado em entrar nesse estudo de fase 3. Na semana que vem vamos ter uma visita de uma delegação indiana”, disse Jorge Kalil, diretor do Butantã, após participar de um fórum de saúde realizado nesta sexta-feira, 8, em São Paulo.

O teste em países do exterior seria uma alternativa caso não haja casos de dengue suficientes nos locais de teste no Brasil, uma vez que o período de pico da doença vai até maio e os testes seriam iniciados, na melhor das hipóteses, somente em junho. “Precisamos ter dengue no local para testar a eficácia. Só sei se a vacina protege se tiver o desafio”, explicou Kalil.

A agência brasileira tem até o fim de maio para responder ao pedido de autorização de testes do instituto. “Assim que a Anvisa sinalizar, eu já começo o trabalho. Já tenho 13 mil doses de vacina prontas e já tenho os centros de pesquisa. Muitos já foram capacitados, outros estão em fase de treinamento”, afirmou. O tempo de testes depende da incidência de dengue nas localidades participantes e da evolução do estudo, mas o instituto trabalha com uma meta de iniciar a vacinação no País ainda em 2016.

“Se iniciarmos os testes logo após a aprovação da Anvisa, calculo que no começo do ano eu já tenha dados suficientes para pedir o registro do produto. Aí demora mais uns meses para a avaliação. A vacina estaria disponível no final do primeiro semestre ou início do segundo. Talvez a gente não consiga, mas estamos tentando”, afirmou Kalil.

Presente no mesmo evento, o presidente da Anvisa, Ivo Bucaresky, foi menos otimista em suas previsões. Ele afirmou que o período de testes de novos medicamentos costuma ser superior a 12 meses e que, após a conclusão dessa fase, a Anvisa ainda leva até seis meses para liberar o registro do produto. Assim, a vacina do Butantã não estaria disponível para a população antes de 2017.

“Não é fácil demonstrar eficácia e segurança no período só de um ano (de testes). Acontece, mas não é algo tão simples de ser feito”, disse Bucaresky.

Balanço divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria Estadual da Saúde mostra que São Paulo já registra no ano 261.453 casos confirmados de dengue, número recorde. A Pasta diz, no entanto, que o número de notificações já começou a cair se comparados os dados de abril com os números de março.

Os registros de abril, no entanto, ainda não foram fechados porque dependem de exames de confirmação que levam dias ou até semanas para serem concluídos. Pelo menos 169 pessoas já morreram de dengue neste ano em cidades paulistas.

ESTADO DE SÃO PAULO, 08.05.2015