Clipping 12/05/2015


em 12/05/2015

Transplantes de órgãos no país sobem 3% no primeiro trimestre

 O Brasil registrou aumento de 3% do número de cirurgias de transplantes de órgãos, na comparação entre o primeiro trimestre de 2014 e o deste ano. De janeiro a março de 2014, foram feitos 1805 transplantes. No mesmo período de 2015, foram 1862. Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgado ontem.

Apesar do aumento do número geral, foi registrada queda no número de transplantes de rim, fígado, coração e pâncreas. As cirurgias de transplante de pulmão aumentaram 19%.

A diretoria da ABTO não está satisfeita com os números. No editorial do RBT, ela lembra que, hoje, há 18.818 pacientes esperando pelo transplante de rim e sugere que o sistema público faça uma “avaliação das dificuldades para o ingresso em lista, em vários estados”.

E termina com um alerta: “A tarefa para este ano difícil é árdua e deve ser enfrentada por todos os envolvidos, para nos aproximarmos das metas propostas”.

O GLOBO, 12.05.2015

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Consumo de álcool cai 2,5% em 40 países, mas sobe entre mulheres e crianças
Segundo pesquisa da OCDE, taxa de meninos com menos de 15 anos que nunca beberam caiu de 44% para 30%

RIO – O relatório “Combatendo o consumo excessivo de álcool – Política Econômica e de Saúde Pública”, divulgado nesta terça-feira pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelou que a ingestão de álcool per capita nos 34 países membros da entidade caiu cerca de 2,5% em 20 anos. Entretanto, o consumo aumentou entre crianças e mulheres. O Brasil não fez parte do levantamento, que se concentrou, principalmente, na Europa e na América do Norte.

O relatório calculou uma média de 9,1 litros de álcool puro consumidos por pessoa ao ano, o que equivale a 180 latas ou copos de cerveja. A OCDE estima que cerca de 11% de todo consumo de álcool nesses países não tenha sido registrado pela pesquisa, o que indica que, na realidade, a média pode ser ainda maior. Segundo o estudo, o consumo nocivo de álcool já é responsável por mais mortes que a AIDS, violência e a tuberculose juntas.

Segundo a pesquisa, a taxa de meninos com menos de 15 anos que nunca consumiram álcool caiu de 44% para 30% durante a década de 2000, enquanto o percentual de meninas passou de 50% para 31%.

Além dos 34 países membros, a OCDE analisou o quadro em seis países não membros (Rússia, África do Sul, Brasil, China, Índia e Indonésia). A Estônia, a Áustria e a França lideram o ranking de consumo de álcool, com cerca de 12 litros por pessoa, três acima da média da OCDE. O Brasil ocupa a 29ª posição da lista com cerca de 7,5 litros por pessoa.

Na Estônia, as principais bebidas consumidas são cerveja e destilados. Já na Áustria o consumo é dividido principalmente entre cerveja e vinho. Os franceses consomem majoritariamente vinho e em segundo lugar destilados. No Brasil, a preferência nacional é pela cerveja, seguida dos destilados.

 O GLOBO, 12.05.2015

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Um quarto dos brasileiros que moram nas capitais sofre de hipertensão
Ministério da Saúde divulga pesquisa Vigitel junto com resultados que mostram redução de sódio em alimentos processados

RIO – Praticamente um quarto dos brasileiros sofre de hipertensão. Eles são 24,8% da população, segundo dados da pesquisa “Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico” (Vigitel, de 2014), divulgados nesta terça-feira pelo Ministériio da Saúde. De acordo com o órgão, a informação mostra estabilidade nesse quadro, uma vez que, na mesma pesquisa de 2013, o Brasil tinha 24,1% de pessoas com hipertensão.

O Vigitel é uma consulta feita pelo telefone com moradores das capitais de todos os estados. A pesquisa mostra que a hipertensão atinge 26,8% das mulheres e 22,5% dos homens. Palmas é capital com menor porcentagem de hipertensos no país (15,2%), enquanto Porto Alegre tem a situação mais crítica, com 29,2% de seus moradores atingidos pelo problema. Mais informações serão divulgadas numa coletiva nesta terça em Brasília.

A pesquisa foi divulgada juntamente com dados que mostram um esforço do governo federal para reduzir a quantidade de sódio em alimentos processados. O alto consumo de sódio está associado a uma elevação na quantidade de hipertensos. Segundo o Ministério da Saúde, bolos, salgadinhos, batata frita e biscoitos, produtos que fazem parte do cardápio da maioria das crianças e dos adolescentes, perderam até 10% da quantidade de sódio em suas composições, após acordo da pasta com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).

Estes dados mostram os resultados da segunda etapa do Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados. Segundo o ministério, o objetivo é reduzir mais de 28 mil toneladas de sódio de vários produtos até 2020.

Somando-se os dois primeiros termos de compromisso firmados com a Abia, foram eliminadas das prateleiras dos supermercados 5.320 toneladas de sódio até 2012 e outras 7.452 toneladas até o final de 2014. Nesta segunda etapa, foram analisados produtos como batata frita, salgadinho, bolos recheados, bolos sem recheio, rocambole, mistura para bolo aerado, mistura pala bolo cremoso, maionese, biscoito salgado, biscoito doce e biscoito doce recheado.

Mas, o refrigerante, por exemplo, produto com índice de sódio considerável se comparado à porção ideal de consumo diário, não esteve em nenhuma das duas fases. As bebidas dietéticas, aliás, têm ainda mais sódio do que as normais.

O Ministério da Saúde informou que 95% dos produtos analisados tiveram redução de até 10% no valor máximo de sal de seus produtos. Foram analisados 839 produtos de 69 de empresas associadas à Abia. Segundo dados do monitoramento, feito em 2014, a meta foi alcançada por 83% dos bolos prontos com recheio, 96,2% das misturas para bolo aerado, 89,7% do salgadinho de molho, 68% da batata palha e batata frita e 77,8% do biscoito doce recheado.

O Ministério da Saúde explicou que a redução do teor de sódio, até 2020, teria impacto direto nos gastos do Sistema Único de Saúde e na saúde dos brasileiros, garantindo redução de 15% dos óbitos por AVC e 10% dos óbitos por infarto. Além disso, 1,5 milhão de pessoas ficariam livres de medicação e teriam um aumento de 4 anos na expectativa de vida para os hipertensos.

A questão preocupante é que segundo dados do Vigitel de 2013, semelhantes ao do ano passado, 48,6% dos brasileiros haviam avaliado como médio seu nível de consumo diário de sódio.

Mas, o consumo médio diário de quase 12 gramas de sal por pessoa ainda é considerado alto. Para se ter uma ideia, essa quantidade é duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): no máximo, dois gramas diários de sódio (o equivalente a cinco gramas de sal).

 O GLOBO, 12.05.2015

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Alimentos de fast-food matam bactérias do intestino que protegem contra obesidade, diz estudo
Pesquisa mostra que mais importante do que evitar gordura e açúcar é priorizar alimentos naturais

RIO — Um pesquisador da universidade King’s College London, no Reino Unido, descobriu novas razões para se evitar uma dieta baseada em sanduíches, batatas fritas e outros alimentos de restaurantes e lanchonetes fast-food. De acordo com seu estudo, publicado no livro “The Diet Myth” (“O mito da dieta”), esse tipo de comida elimina bactérias da flora intestinal humana que protegem as pessoas contra a obesidade, diabetes, câncer, doenças do coração, entre outros males.

No estudo realizado pelo professor de epidemiologia genética Tim Spector, seu filho, Tom, de 23 anos, passou dez dias alimentando-se apenas de hambúrgueres, batatas fritas, nuggets e Coca-Cola em lanchonetes McDonald’s. Após esse período, o pesquisador verificou uma uma redução significativa da flora intestinal do jovem.

— Antes de eu iniciar a minha dieta de fast-food, havia cerca de 3.500 espécies de bactérias intestinais no meu estômago, dominadas por um tipo chamado firmicutes. Uma vez iniciada a dieta, perdi rapidamente cerca de 1.300 espécies de bactérias, e meu estômago passou a ser dominado por um grupo chamado bacteroidetes — afirmou Tom, que também é estudante de genética.

A questão não estaria ligada apenas ao problema da epidemia de obesidade observada em diversos países da Europa, mas também a outras questões, já que a flora intestinal também tem um papel fundamental na eliminação de micróbios que podem causar doenças, e na regulação do metabolismo humano — seu desequilíbrio pode ocasionar diversas doenças, e há indícios da sua relação com o autismo.

Para o livro, Spector também analisou registros de 12 mil gêmeos no Reino Unido, que são monitorados durante a vida para a observação dos efeitos de fatores ambientais e da variedade genética. A conclusão foi que a exclusão de gordura e açúcar para uma dieta saudável é menos importante do que a certeza de que o alimento ingerido é o mais natural possível.

Alimentos como cerveja belga, alho e café são ideias para promover a saúde da flora intestinal.

Um porta-voz do McDonalds ouvido pelo jornal britânico “Telegraph” sobre o estudo afirmou que a companhia possui “uma grande variedade de alimentos disponível” em seus restaurantes, e que “podem ser utilizados em uma dieta balanciada”.

“Também reformulamos os nossos ingredientes para reduzir a quantidade de sal, gordura e açúcar, e para remover gordura trans do nosso menu”, afirmou o porta-voz.

 O GLOBO, 12.05.2015

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Ministério da Saúde alerta grávidas sobre testes de HIV e sífilis
Objetivo da campanha é informar as gestantes sobre a importância da realização dos exames

Rio – O Ministério da Saúde lançou uma campanha para alertar as gestantes sobre a importância de realizar exames que detectam HIV, sífilis e hepatites virais B e C. Além de garantir tratamento para as futuras mães, o diagnóstico precoce evita que elas infectem o bebê. Na cidade do Rio de Janeiro, toda a testagem é encontrada nas Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde.

A ação, que conta com vídeo e cartazes, é do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) do ministério. Com o tema ‘Estes sorrisos são o resultado de um pré-natal completo’, a campanha orienta os pais a exigirem os exames durante o pré-natal. De acordo com a pasta, quanto antes as doenças forem detectadas durante a gestação, maiores as chances de evitá-las nos bebês.

Como O DIA noticiou na semana passada, entre 2009 e 2013 a taxa de incidência de sífilis em grávidas triplicou no Estado do Rio — de cinco por mil gestantes para 15 por mil. A doença pode causar abortos ou má-formações fetais. Além disso, os níveis em recém-nascidos dobraram no Rio — de seis por mil para 12 por mil. O principal desafio para tratar a doença, sexualmente transmissível, é cuidar do parceiro para evitar que a grávida seja infectada novamente. Ou seja, não adianta apenas a mulher se tratar. Ainda de acordo com a reportagem, um dos fatores que explica a alta nas estatísticas é justamente a recusa dos homens em se cuidarem. Muitos não aceitam parar de usar bebidas alcoólicas para tomar antibióticos.

Guilherme Wagner, superintendente da Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, alerta que, muitas vezes, essas doenças não apresentam sintoma na grávida. Segundo ele, na rede municipal os exames são feitos no mesmo dia em que se confirma a gravidez. “São doenças nas quais as mulheres não pensam no dia a dia. Elas podem estar doentes sem sentir, por isso é muito importante fazer os testes”, disse.

Guilherme lembra que o tratamento deve começar na gestação. No caso do HIV, por exemplo, a mulher inicia o uso de antirretrovirais e é acompanhada pela Clínica da Família e por maternidade referência em tratamento de gestante de alto risco. Além disso, diversos mecanismos são feitos na hora do parto para evitar a transmissão ao bebê. “Durante um tempo, controlamos a transmissão vertical, mas o uso do crack quebrou isso. São filhos de mães com HIV que não fazem pré-natal”.

 O DIA, 12.05.2015

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 Em três anos, indústria reduz em 10% teor de sódio de alimentos, diz governo
Alimentos como maionese, mistura para bolos e salgadinhos reduziram o teor de sódio em até 10% nos últimos três anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Ministério da Saúde.

A medida faz parte de um acordo feito em 2011 com a indústria para a redução de consumo de sódio no país, que, em excesso, pode levar à hipertensão.

Hoje, um em quatro brasileiros sofre da doença, de acordo com a pesquisa Vigitel, que monitora os fatores de risco para a saúde.

Os dados indicam que o quadro atinge 25% da população, e aumenta conforme a idade –entre os idosos, o índice chega a 60%.

Com a redução, o total retirado de sódio dos alimentos industrializados entre 2011 e 2014 já chega a 7.562 toneladas. A meta é chegar a 28.562 toneladas até 2020.

Para calcular a redução de sódio nos alimentos industrializados, o Ministério da Saúde analisou rótulos de 839 alimentos como bolos, batatinhas, salgadinhos, maioneses e biscoitos fabricados por 69 indústrias entre 2011 e 2013.

Em média, a redução de sódio nestes 839 itens atinge 10%. A maior diminuição foi registrada nos rocamboles, que cortaram 21% do teor de sódio dos produtos, seguido por mistura para bolo aerado e maionese –nestes, a redução foi de cerca de 16%.

Indústrias que não alcançaram o resultado esperado de redução foram notificadas e deverão apresentar uma justificativa, segundo o Ministério da Saúde. Dos 839 alimentos analisados, oito não alcançaram a meta esperada, definida de acordo com cada produto, afirma o governo.

SAL EM EXCESSO

Hoje, o consumo de sal pelos brasileiros, em média, é de 12 gramas por dia –número equivalente a mais do que o dobro do recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que recomenda o consumo máximo de cinco gramas por dia.

Para Edmundo Klotz, presidente da Abia, associação que representa as indústrias de alimentação, os dados mostram que o desafio é ainda maior.

“Hoje, a indústria é responsável por somente 25% do consumo de sal no país. Isso significa que, se nós conseguimos retirar [parte do sódio dos alimentos], o ideal é que a sociedade retire do outro lado três vezes mais do que estamos retirando”, afirma.

 FOLHA DE SÃO PAULO, 12.05.2015

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Guru da arrumação, japonesa defende descartar o que não gera mais apego
No manual de Marie Kondo, a japonesa de 30 anos que se tornou “guru” mundial da organização, a regra é clara: nunca, jamais, enrole suas meias como bolas na hora de guardá-las.

“As meias na gaveta estão de férias. Levam uma surra no trabalho do dia a dia, aguentando a pressão e a fricção para proteger seus preciosos pés. O tempo que passam no armário é a única chance que elas têm de descansar”, afirma Kondo no best-seller “A Mágica da Arrumação” (ed. Sextante, R$ 24,90), lançado neste mês no Brasil.

O método de Kondo, cuja publicação já vendeu dois milhões de cópias ao redor do mundo, vai, é claro, muito além das meias. Mas baseia-se no mesmo princípio: criar uma conexão emocional com seus pertences, mantendo apenas aquilo que “traz alegria” e descartando, educadamente, o resto.

“Poucas pessoas pensam se um par de meias pode lhes dar alegria ou se as meias podem ficar confortáveis quando estão guardadas. Mas eu acho que é importante pensar sobre as pequenas coisas”, diz Kondo à Folha.

“Se você faz isso, percebe que até mesmo um par de meias está o ajudando em sua vida –e começa a dar valor para tudo.”

BELEZA ORGANIZADA

Ela recebeu a reportagem em um quarto de hotel em Nova York. De roupa e cabelo impecáveis e voz baixa, é –não por acaso– o retrato perfeito do que quer vender: a ideia de beleza organizada.

O interesse pela arrumação surgiu ainda criança, quando lia “todas as revistas sobre assuntos domésticos” compradas pela mãe. Aos 15, começou a desenvolver a técnica que a alçou ao status de celebridade, a KonMari.

“Comecei a praticar todos os dias, no meu quarto, no dos meus irmãos, meus amigos. Essa era a minha vida”, diz Kondo.

No mês passado, ela foi eleita pela revista norte-americana “Time” uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Responsável por escrever um texto sobre Kondo para a publicação, a atriz Jamie Lee Curtis decretou: “Se um dia fizer uma tatuagem, ela dirá ‘Spark Joy!’ [Traga Alegria]”

‘KONDAR’

Como um culto, “A Mágica da Arrumação” atrai seguidores ao redor do mundo. Nas redes sociais, há grupos para compartilhar as vitórias do dia a dia da organização e trocar ideias sobre como aperfeiçoar as técnicas.

“Kondo” virou até verbo, utilizado ao empregar a técnica da japonesa –”Kondei minha estante de livros hoje”, escreve uma blogueira.

Marie Kondo atribui seu sucesso à efetividade do método que criou. “Ele realmente funciona. Então quem o pratica, acaba falando para os amigos, espalhando a ideia”, diz. “Além disso, a técnica não é só sobre arrumação, mas sobre como melhorar o seu estado mental.”

No livro, ela cita casos de clientes que largaram o emprego ou um casamento ruim depois de aplicarem o método KonMari em suas vidas.

“Quando você põe a casa em ordem, também organiza suas questões e seu passado. A consequência é que você passa a distinguir com mais clareza o que é essencial e o que é inútil, assim como o que deve e o que não deve fazer.”

Mesmo com toda confiança em sua técnica, a autora admite que se surpreendeu com o sucesso de seu livro fora do Japão, onde foi lançado em 2011. “O conceito de trazer alegria e a ideia de ver um objeto como um ser humano são bastante específicos da cultura japonesa.”

Com a fama, Kondo parou de aceitar novos clientes para consultorias pessoais –a lista de espera para uma delas chegava a três meses. Mas nem tudo está perdido para os novos fãs: agora, ela treina outras pessoas no KonMari para ampliar o número de aulas dadas com base no método.

“Esse é o meu objetivo, que todos no mundo tenham um estilo de vida que lhes traga alegria”, afirma.

Mas, se conseguir, de fato, dominar o mundo com sua beleza organizada, o que vem depois?

Para essa pergunta, Marie Kondo não tem a resposta na ponta da língua: “Nunca me perguntaram isso”, sorri. “Eu não faço ideia.”

 FOLHA DE SÃO PAULO, 12.05.2015

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Eficácia de vacina antidengue chega a 60%
Imunizante em desenvolvimento será usado em grupos de risco

BRASÍLIA – O Ministério da Saúde inicia neste semestre uma pesquisa para saber quando e como a vacina contra dengue será aplicada. A ideia é traçar uma estratégia para tornar mais eficaz o uso do recurso.

“Não haverá vacina para todos. Precisamos saber quais são os públicos que devem ser escolhidos para a imunização, caso o registro seja concedido”, disse o coordenador do Programa Nacional de Controle de Dengue, Giovanini Coelho. O trabalho deve ser concluído até o fim do ano.

A vacina desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur apresentou em março o pedido de registro do produto no País. Caso ele seja concedido neste ano, avalia a empresa, o imunizante estará disponível somente a partir de 2016. “As medidas de combate ao mosquito transmissor da doença não vão terminar, mesmo quando uma vacina estiver disponível. O imunizante, sozinho, não será capaz de evitar epidemias”, avaliou Coelho.

O coordenador enumera pelo menos duas razões para que a vacina não seja considerada uma “solução mágica”. A começar pela eficácia identificada nas pesquisas feitas pelo fabricante: 60%, em média, para todos os sorotipos do vírus causador da doença. Além disso, são necessárias três doses da vacina, em intervalo de seis meses. O ciclo se completa, portanto, apenas depois de um ano do início da vacinação.

“Há sempre problemas logísticos para aplicação de três doses da vacina, com esse período de intervalo. Enquanto não tivermos um imunizante com dose única, e eficácia superior a 90%, não podemos descartar as demais medidas de prevenção”, garantiu Coelho.

Unifesp. Apesar das perspectivas serem a médio prazo, o Ministério da Saúde considera que a vacina da Sanofi-Pasteur pode significar um recurso valioso, principalmente para redução dos casos graves. “Os testes mostram uma queda de 80% nas internações. É um indicador que tem de ser levado em consideração”, afirmou.

A pesquisa será conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em cidades consideradas estratégicas, com grande circulação de pessoas e que exerceram em epidemias anteriores um papel importante para a disseminação do vírus. Até agora, foram listadas 63. Entre elas: Rio, Santos, Campinas, Goiânia e Recife.

Na primeira etapa, serão feitos testes para identificar nessas cidades escolhidas as populações que já tiveram contato com o vírus. “Os estudos mostraram que ela é mais eficaz em pessoas que já tiveram algum contato com o vírus. A ideia é, nesses municípios, fazer um inquérito sobre a soroprevalência em diversas faixas etárias”, contou o coordenador.

O governo pretende usar a segunda fase da vacinação de Pólio, programada para o próximo semestre, para coletar amostras de sangue de crianças menores de 5 anos. “Para participar, as famílias têm de assinar um protocolo de adesão. Tudo tem de ficar muito claro para os responsáveis dos menores”, disse Coelho. Uma rede de laboratórios particulares está sendo montada para ajudar na realização do inquérito.

Idosos. Os dados reunidos pelo estudo deverão ser usados para nortear a decisão do governo sobre incluir ou não a vacina no País. Feita essa avaliação, será a vez de definir os grupos prioritários para receber as doses do imunizante, algo semelhante ao que foi realizado no Brasil com influenza (gripe). Quando começou a ser usada no País, a vacina estava restrita a alguns grupos de risco, como idosos.

O coordenador adiantou que essa população é uma forte candidata a ser alvo de campanhas, caso elas ocorram no País. “Levantamentos recentes mostram que esse grupo apresenta um maior risco de internação e morte por dengue”, contou.

FOLHA DE SÃO PAULO, 12.05.2015