Prefeitura cria peixes em parque aquático abandonado para auxiliar combate à dengue


em 04/08/2015

Iniciativa da Secretaria municipal de Saúde utiliza piscinas do Wet n’ Wild como aquário de barrigudinhos

por Gabriel Rosa

peixes

Piscina de ondas abandonada do Wet n’ Wild serve como aquário para criação de peixes que auxiliam no combate à dengue na cidade – Agência O Globo / Bárbara Lopes

RIO — Fechado há dez anos, o Wet n’ Wild não lembra em nada o parque aquático inaugurado em 1999, em Vargem Grande. A aparência decrépita do local — muito semelhante a de um cenário da série de TV americana “The Walking Dead” — esconde um poderoso aliado na luta contra a dengue na cidade. O que de longe parece o ambiente ideal para a proliferação e crescimento das larvas do Aedes aegypti é na verdade uma armadilha para os mosquitos, preparada e cuidada, desde 2011, pela Secretaria municipal de Saúde (SMS).

Os locais que um dia foram um chafariz e uma piscina de ondas, hoje são criadouros ao ar livre de barrigudinho, o famoso peixinho de vala. Acontece que a espécie, que chega no máximo a 5 cm, é larvófaga — ou seja, se alimenta de larvas — e não permite que o vetor da dengue alcance a fase adulta.

Barrigudinhos se alimentam de larvas em pote de sorvete – Agência O Globo / Bárbara Lopes

— O local era muito problemático e foco de muitas denúncias. Desde que introduzimos o barrigudinho, o espaço do parque está livre do Aedes aegypti — conta Marcus Vinícius Ferreira, coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde da SMS.

Do parque abandonado já saíram peixes que combateram a dengue em diversas partes da cidade. Os barrigudinhos de Vargem Grande já atuaram na Praça da Bandeira, nos porões da Uerj e foram responsáveis por evitar a proliferação do mosquito nos alagamentos comuns aos vestiários do Maracanã enquanto o estádio passava por obras para receber a Copa do Mundo.

A crescente urbanização tem dificultado a aparição da espécie em ambiente natural, já que é cada vez mais raro encontrar uma vala pela cidade.

— A possibilidade de contar com este espaço foi fundamental para o projeto. Além daqui, também criamos os peixes no prédio abandonado do Carrefour, na subida para o Alto da Boa Vista — diz Ferreira.

Os interessados em contar com a ajuda dos peixinhos devem procurar os postos de saúde da sua região. Lá, basta pedir a visita de um agente de saúde, que leva os barrigudinhos até o local suspeito de ser foco de mosquito. O uso do predador natural é indicado para áreas de grande alagamento, como piscinas, cisternas e caixas d’água abertas.


Fonte: O Globo, 02.08.2015