Perigos de queimaduras em festas juninas


em 23/05/2017

As tradicionais Festas Juninas são sinônimo de alegria, danças, comidas típicas e muito mais. Celebradas no Brasil há quase meio século, elas constituem a segunda maior comemoração realizada pelos brasileiros, ficando atrás apenas do Carnaval. Mas é necessária muita atenção com a segurança, principalmente das crianças, nesta época, pois algumas tradições, como fogueiras, fogos de artifício e, até mesmo balões, aumentam os riscos de queimaduras.

No Hospital Adão Pereira Nunes, o número de atendimentos na Emergência e das internações no CTI pediátrico, demonstram a urgência da conscientização dos pais, da importância de saber que as crianças não podem ter acesso a fogos de artifício, álcool, balões e produtos escaldantes utilizados no cozimento de alimentos. Em 2016, foram 37 atendimentos às vítimas de queimaduras no período de festas juninas, sendo 15% destes atendimentos feitos em crianças.

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), os números de casos aumentam entre junho e agosto. De acordo com a coordenadora da Pediatria do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN), Dra. Claudia Falconiere, este aumento deve-se a uma falta de prevenção e conscientização dos pais, que muitas das vezes acham que alguns artefatos são inofensivos. A coordenadora explica quais são os casos e medidas a serem tomadas nessa época do ano.

Por que existe uma preocupação maior com as crianças?

Por conta da falta de consciência dos pais da gravidade que isso pode ocasionar. Apesar das festas juninas serem culturalmente associadas aos fogos, é necessário que os responsáveis tomem ciência do grande número de queimaduras que chegam às emergências nesse período.

Quais são os casos mais frequentes nessa época?

Pequenas queimaduras: pés, face, tronco. Com fogos mais pesados, as queimaduras são de terceiro grau (em maiores áreas do corpo). Os fogos não são tão inofensivos quanto parecem e as consequências do uso indevido não são tão bonitos. Brincadeiras aparentemente inocentes com estalinhos são causadoras de queimaduras das extremidades dos dedinhos, por exemplo.

Quais cuidados a serem tomados?

Primeiramente, é importante que não haja contato das crianças com fogos de artifício, mesmo os mais simples. Outra prática comum em ocasiões festivas, as fogueiras, foram responsáveis por duas internações da UTI Pediátrica do HEAPN, no ano passado. Onde as crianças tinham face, pescoço e mãos queimadas, pois usaram álcool para acender as fogueiras.

Em caso de queimadura, como agir? Medidas caseiras como pasta de dente, manteiga e pó de café, são recomendadas?

De maneira alguma! É importante que o público saiba que a utilização dessas medidas, não apenas pioram a evolução destas queimaduras, como também dificultam o tratamento adequado, gerando infecções. Recomenda-se apenas que lave a área atingida com água corrente até a dor passar.

Em caso de queimadura, quando deve-se procurar ajuda médica?

Desde a pequena queimadura, até as mais extensas, exigem cuidados específicos. Por isso, a procura ao atendimento e orientação médica são necessários em todos os casos.

 É importante ressaltar que, ao preparar as comidas típicas, o perigo também está no acesso das crianças a substancias escaldantes, como água quente e óleo de fritura, que, além do risco de vida, geram cicatrizes que podem durar para toda vida. “Estas cicatrizes são provenientes da recuperação, que envolve diversas cirurgias de reparo e, dependendo do local acometido, podem ser necessárias diversas cirurgias plásticas”, pontua Falconiere.

Vale lembrar que, segundo o Art. 42, fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano é crime, com detenção de um a três anos ou multa.